Poesia e música.

Olha o olho da menina

Livro_Olha_o_olho_da_menina    

É um livro lindo, delicado…Vocês vão adorar!

Fotos da Gruta de Santa Luzia em Mauá

Estive sem internet por dois dias, mas aí estão algumas das fotos. Beijos.

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Mário Quintana

 Queridos e queridas , montei esta antologia para que conheçam um pouco deste poeta tão querido. Leiam mais no site Releituras, há um link aqui mesmo no blog.

Entre parênteses você encontra o título do livro em que o poema foi publicado.

Boa leitura!!!

 

  Língua Portuguesa e Literatura – Professora Elisangela Meira                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

  Antologia de Mário Quintana

OS ARROIOS

Os arroios são rios guris…
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d’água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo…
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios…

 (Baú de Espantos)

 

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

(Antologia poética)

 

CARTAZ PARA UMA FEIRA DO LIVRO

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

 (Caderno H)

 

OS DEGRAUS

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos – onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo…

Baú de Espantos

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

– Esconderijos do Tempo

BILHETE

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

…..tem de ser bem devagarinho,
…..amada,

…..que a vida é breve,
…..e o amor
…..mais breve ainda.

O auto-retrato    

No retrato que me faço
– traço a traço –
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…

e, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança…
Corrigido por um louco!

(Apontamentos de História Sobrenatural)

 
 

 

O velho do espelho

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…
Meu Deus, Meu Deus…Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga…Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste…

(Antologia Poética)

Quem Ama Inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama…
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava…
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições…
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho…
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado… e ter vivido o sonho!

Passarim, por ele mesmo.

É, relembrar o maestro-poeta é sempre emocionante.

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Tom Jobim – “Passarim” (TV Manchete, 1984), posted with vodpod

Secret garden

Um pouco de magia.

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Secret Garden – Nocturne – winner Eurovision 1995, posted with vodpod

Poesia

Beijo de Céu

Árvores encharcadas,
Parque deserto,
Chuva pesada,
Vidro embaçado,
Paira no ar a verdade,
Com tanto medo.
Há instantes proferida.

O calor de sua pele,
Ainda em seus dedos,
As palavras tristes…
O que antes era suspeita
Torna-se a certeza
Que dói na alma.
Seus lábios suaves
Deseja ainda uma vez.

Num lampejo de coragem,
Salta do carro,
Estende-lhe a mão,
Seu olhar interroga,
Convida-o a descer,
Quer que sinta a chuva,
Quer senti-lo sob a chuva.

Gotinhas se equilibram nas folhas,
Ela equilibra-se na ponta dos pés,
Amparada por mãos firmes.
Morde-lhe o queixo,
Sente seus braços,
Os corpos molhados,
A tarde morna,
O tempo parado,
Os lábios colados,
O beijo de céu.

(E. S. M em 11/06/08)